Resumo
Este trabalho teve como objetivo investigar os impactos dos algoritmos de recomendação da Meta na formação da subjetividade de adolescentes, partindo da problemática de que tais sistemas, ao personalizarem o conteúdo exibido nas redes sociais, moldam percepções, emoções e comportamentos, comprometendo o desenvolvimento do pensamento crítico e da autonomia intelectual. Metodologicamente, a pesquisa foi de caráter qualitativo e teórico bibliográfico, sustentada em autores como Michel Foucault, Byung-Chul Han, Tarleton Gillespie, Sergio Amadeu da Silveira e Shoshana Zuboff. A partir da revisão dessas obras e da análise de documentos institucionais e depoimentos públicos, como os de Frances Haugen , buscou-se compreender como os algoritmos da Meta operam como dispositivos de subjetivação e poder simbólico na sociedade digital. Os resultados apontam que os algoritmos não apenas selecionam conteúdos, mas constroem realidades personalizadas que reforçam padrões de consumo, repetição e engajamento emocional, criando bolhas informacionais e diminuindo a exposição a perspectivas divergentes. Essa filtragem contínua contribui para a formação de uma subjetividade dependente da validação digital, marcada pela comparação, pela auto exploração e pela perda da singularidade. Conclui-se que a hipótese foi corroborada: os algoritmos atuam sim como mecanismos de modulação da subjetividade, transformando experiências humanas em dados preditivos e lucros corporativos. Diante disso, o estudo defende a necessidade de políticas de transparência algorítmica e de uma educação digital crítica que permita aos jovens reconhecer e resistir às formas sutis de controle e manipulação presentes nas plataformas digitais.
Autor
JOSÉ ANTÔNIO CARREIRAS ESTULANO
Orientadora
Esp. Fernanda da Silva Franco

