Resumo
Este trabalho analisa a construção do personagem Hannibal Lecter nas obras O Silêncio dos Inocentes (1991) e Hannibal (2013-2015), com base no estudo clássico The Mask of Sanity (1976), de Hervey Cleckley. A pesquisa teve como objetivo compreender de que maneira Hannibal Lecter encarna os dezesseis traços de psicopatia descritos pelo autor, investigando sua representação sob a ótica psicanalítica e audiovisual. Por meio de uma abordagem qualitativa e interpretativa, observou-se que o personagem manifesta aproximadamente doze desses traços, entre eles o charme superficial, a ausência de remorso, a manipulação, o egocentrismo e a frieza emocional. No entanto, Hannibal também transcende a definição clínica tradicional, apresentando racionalidade, controle e refinamento estético que transformam a psicopatia em um fenômeno simbólico e narrativo. Ademais, a análise das relações com Will Graham e Clarice Starling reforça a ambiguidade afetiva e a complexidade moral dos personagens, revelando como o audiovisual reinterpreta categorias psiquiátricas para compor figuras de grande densidade psicológica. Portanto, conclui-se que Hannibal Lecter representa o “psicopata cinematográfico”, um arquétipo que une o horror e a beleza, o intelecto e a monstruosidade, reafirmando a capacidade da ficção de remodelar conceitos clínicos.
Autora
VALENTINA MARIA COLOMBO BAGNOLESI
Orientadora
Profa. Julia Gomes D’Almeida

