Resumo
O trabalho analisou a relação entre o capital financeiro e o setor da defesa, com foco nas empresas listadas nas bolsas de valores B3 (Brasil) e NYSE (Estados Unidos). Buscou-se compreender como o investimento privado, por meio da compra de ações, contribui para a sustentação de indústrias responsáveis pela produção de armamentos e tecnologias bélicas. A questão central foi: investir em empresas do setor da defesa significa investir na guerra? A partir de dados financeiros, relatórios corporativos e referenciais teóricos críticos, como Chesnais e Mészáros, observou-se que companhias como Lockheed Martin, Raytheon Technologies, Embraer e Taurus Armas S.A. dependem fortemente de contratos governamentais e do fluxo contínuo de capital dos investidores. Constatou-se que essa dinâmica reforça a financeirização da guerra e a transforma em um negócio lucrativo. Além dos impactos econômicos, a pesquisa destaca os efeitos éticos e sociais desse processo: o lucro obtido com ações está diretamente ligado à destruição de vidas e ao agravamento de conflitos armados. Essa contradição revela uma responsabilidade moral compartilhada entre governos, corporações e investidores, colocando em debate os limites éticos do mercado financeiro. Conclui-se que investir nesse setor é, ainda que indiretamente, sustentar a lógica global da guerra.
Autor
THOMAZ LEME ROMEIRO SIQUEIRA
Orientador
Prof. Antonio Eduardo Serzedello de Paula

